João Pessoa: 23 de fevereiro de 2026

O grito do silêncio

Publicado em: 22 de fevereiro de 2026

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No silêncio do meu quarto escuro, o desejo de falar é sufocado pela necessidade do calar.

Vejo cenas indescritíveis nas bancarrotas urbanas das traiçoeiras noites sem luar.

É o fato incontestável da verdade censurável de quem não tem nada a ofertar.

O silêncio constante de um vazio cortante a sangrar o meu calcanhar.

Nem de Aquiles, nem de virgens, ouço a loucura a entoar as frases por mim caladas, na injustiça das minhas calçadas, traçando o meu caminhar.

Vagueio limitada nas palavras isoladas no meu cérebro a torturar.

É a visita dolorosa, não menos impiedosa, do meu leve disfarçar.

Não vejo, não ouço, não falo, sigo a pé no gargalo das lágrimas que me levam a soluçar.

Gostaria de um abraço, um carinho, um compasso para as mãos poder lhe dar.

Não reconheço o que falo, nem peso o meu cansaço de ter que seguir em frente, com minhas mãos em correntes, sem sequer poder ajudar.

Lamento, sinto e choro, descrevo mas não me mostro, porque sei que vou pagar.

Na vida de injustiças, o homem não sabe onde pisa, nem sabe se irá chegar.

Pobre homem inconsequente, pensa errar livremente, sem saber quem vai lhe cobrar.

Um dia, contudo, o véu lhe será tirado, a vergonha da verdade lhe será instado e ele apenas sofrerá

Sentirá a dor do que não fez, questionará porque não ousou ser o bem da vez, e logo irá se penalizar.

Saberá que a justiça chega mais ou menos nessa era, contando os muitos injustiçados que virão, na viagem andante, terrivelmente lhes cobrar.

 

Nice Almeida

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