João Pessoa: 27 de janeiro de 2026

Criança interior

Publicado em: 19 de janeiro de 2026

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Na solitude de uma viagem acompanhada pela multidão de desconhecidos, a alegria de uma criança desperta a curiosidade e redunda em perguntas. Em que momento da vida a gente esquece de ser feliz nas coisas mais simples? Quando é que vira uma chave dentro de nós que tira o doce da existência e coloca gosto amargo em nossa boca?

O menino segue no colo da mãe deslumbrado pela paisagem que visualiza através da janela daquele coletivo. Chama atenção porque faz questão de sorrir a cada novidade que atravessa seus olhos.

A arquitetura de um prédio antigo chama a atenção e ele logo ‘grita’ a beleza do lugar inédito ao seu sentido da visão. Fala para a irmãzinha como é bonito o lugar, mas ela, ao que pareceu mais velha, não se interessa muito, talvez seja a vontade de já ser adulta, sem saber o quanto essa fase retira de nós a leveza dos dias floridos.

O ápice para o menino é a subida do viaduto. A imagem das Três Lagoas o faz entrar em êxtase. Ah, quanto encanto no olhar inocente! Comenta que estamos “em cima da cidade”, quase no céu, ao menos para ele. Revela que o passeio tornou seu dia espetacular.

Enquanto isso, minha maturidade acende uma luz para a necessidade de visitar minha criança interior – esse conceito adotado pela psicologia e por abordagens terapêuticas que representa a parte emocional e afetiva que cada pessoa carrega desde a infância.
Quando nossa criança interior é reconhecida, acolhida e cuidada, desenvolvemos mais autocompaixão, equilíbrio emocional, leveza, alegria e capacidade de nos relacionarmos de forma mais saudável. Cuidar da criança interior significa olhar para si com gentileza, validar os próprios sentimentos, respeitar limites, permitir-se brincar, descansar e sentir, promovendo o autoconhecimento e o fortalecimento emocional ao longo da vida.
Para minha sublime ignorância é permitir-se fazer como aquele menino: olhar pela janela de um ônibus, tantas vezes incômodo, e perceber que a felicidade está ali, nas pequenas coisas, na rotina, no ar que respiramos, nas árvores que renovar esse ar, na água que nos dessedenta, na comida que nos sustenta, no trabalho que nos honra o lar.

Sorrir mesmo que o mundo nos pede pra chorar e, ao mesmo tempo, chorar para expulsarmos de nós os sentimentos que tentam nos sufocar. Agradecer e agradecer sempre, como disse o apóstolo dos gentios, Paulo: “Em tudo dai graça”.
E amar a vida, porque nela se faz o amor infinito de Deus.

Por Nice Almeida

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