
A rede de TV britânica Sky News revelou nesta sexta-feira (31) que o principal assessor de Gianni Infantino, Carlos Cordeiro, renunciou em protesto contra as medidas do presidente da FIFA de vender participações na Copa do Mundo.
O anúncio foi feito em uma declaração dele exclusiva ao veículo. Cordeiro é o principal assessor de Infantino dentro da entidade, tendo já sido presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e vice-presidente do Goldman Sachs.
‘Como conselheiro sênior do presidente da FIFA, ex-banqueiro e fã de futebol de longa data, não posso ficar de braços cruzados enquanto a FIFA considera vender uma participação na Copa do Mundo. Deixe-me ser claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta e me oponho a ela inequivocamente. É um mau negócio para as Associações Membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo’, declarou no comunicado.
Cordeiro foi nomeado ao cargo em 2021, com decisão, segundo Infantino, por ele ter construído uma carreira de negócios e em bancos de investimentos na Europa. Além disso, em 2025, foi escolhido pelo presidente americano, Donald Trump, como Conselheiro Sênior da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo da FIFA de 2026.
Ele agora lançou uma crítica direta ao plano de vender 20% de uma nova subsidiária que comercializa os direitos da Copa do Mundo para investidores privados em um empreendimento avaliado em US$ 20 bilhões, questionando o processo e as finanças.
‘O futebol tem sido fundamental na minha vida e, após mais de 35 anos no setor bancário, compreendo tanto o valor desse ativo quanto as consequências de ceder parte dele. É por isso que esta proposta deve ser rejeitada’.
‘A FIFA já tem acesso a recursos financeiros extraordinários. A organização possui bilhões de dólares em reservas e nenhuma dívida. O próprio presidente da FIFA destacou os US$ 15 bilhões em receita gerados entre 2022 e 2026. Se as Associações Membro acreditam que investimentos adicionais são necessários para o desenvolvimento do futebol, a FIFA já tem capacidade financeira para fornecer esse apoio com seus recursos existentes. Nesse contexto, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido. É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente’, continuou.
O agora ex-assessora afirmou que se preocupa com a falta de respostas para perguntas como o por que o acordo e por que estaria saindo agora.
‘Quem se beneficia? Houve um processo competitivo? Que governança será implementada? O que os investidores ganharão no final das contas e a que custo para o futebol?’, questionou.
Cordeiro completou dizendo que a proposta virou ‘uma questão crucial para o futuro da FIFA’. Por isso, ele decidiu pela renúncia.

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