
Em João Pessoa, especialista em imagem masculina aponta que silêncio sobre o tema atrasa o cuidado e interfere na forma como o homem é percebido
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), até 42 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de alopecia. A queda de cabelo masculina não é acidente, é curva de idade. Um levantamento da Healthtech Manual, feito com mais de meio milhão de homens atendidos pela empresa no Brasil, mostrou que 90% deles não haviam feito nenhum tratamento contínuo contra a perda de cabelo nos 12 meses anteriores.
Em João Pessoa, esse comportamento é observado pelo visagista especializado em imagem, saúde capilar e posicionamento masculino, Gusthavo Serafim. “Muitas vezes, o homem chega quando fica mais difícil disfarçar com o corte. Esse descuido custa tempo e isso é o que mais importa em se tratando de saúde capilar”, explica. Para ele, parte da resistência vem de um erro de enquadramento. “Quando o homem entende queda de cabelo como uma derrota, ele esconde. Quando entende como uma mudança que pode ser lida, acompanhada e conduzida, ele age. É a mesma diferença entre negar o envelhecimento e envelhecer com controle sobre a própria imagem”, complementa Gusthavo.
De acordo com o especialista, “diagnóstico e medicação são do dermatologista, sempre. O que a gente faz é o outro lado, ou seja, leitura do couro cabeludo, terapia capilar e, principalmente, a decisão de imagem. Pensar no corte que sustenta essa nova densidade, o que a barba compensa, como o grisalho deixa de ser problema e vira ativo e assim por diante”.
O envelhecimento capilar, aliás, não se resume à queda. Afinamento do fio, rarefação em áreas específicas, mudança de textura e o avanço dos grisalhos alteram a leitura do rosto muito antes de qualquer sinal de calvície instalada. Esses são os pontos que mais aparecem no atendimento, segundo Gusthavo, proprietário da Ombre Centro de Imagem Masculina.
O movimento se apoia em uma mudança de comportamento já consolidada. A pesquisa Cosmentology, do Grupo Croma, mostra que o percentual de homens brasileiros que afirmam cuidar da própria aparência saltou de 34%, em 2018, para 72% na edição de 2025, colocando o país em segundo lugar no ranking mundial de autocuidado masculino.
“A diferença é que agora ele tem repertório para pedir ajuda”, conclui Gusthavo. “Ele entendeu que imagem é comunicação não-verbal, que ela entra na sala antes dele. Cabelo faz parte disso. Não é sobre parecer mais novo, é sobre não ser percebido como alguém que desistiu”.











