João Pessoa: 27 de janeiro de 2026

Chefes de governo e economistas nas Américas 2026

Publicado em: 12 de janeiro de 2026

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Paulo Galvão Júnior e Luiz Alberto Machadoeconomistas

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O continente americano é composto por 35 países soberanos, distribuídos em três subcontinentes: América do Sul (12 países), América Central (20 países) e América do Norte (3 países). Esse conjunto de nações apresenta elevada heterogeneidade em termos de níveis de desenvolvimento, estruturas institucionais, sistemas políticos e modelos econômicos.

Nesse contexto regionalizado, a formação acadêmica dos chefes de governo assume papel relevante, uma vez que influencia diretamente a forma como esses líderes interpretam os problemas econômicos, avaliam restrições macroeconômicas e formulam estratégias de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), estabilidade monetária, sustentabilidade fiscal e inclusão social.

Neste início de 2026, sete líderes das Américas − o que corresponde a um quinto dos chefes de governo do continente americano − possuem formação acadêmica em Economia, sendo cinco presidentes e dois primeiros-ministros. Esses dirigentes apresentam trajetórias profissionais marcadas pela atuação em políticas econômicas, instituições financeiras, organismos internacionais ou no meio acadêmico, o que, pelo menos em tese, contribui para uma condução mais tecnicamente fundamentada da política econômica.

O objetivo deste artigo é identificar, sistematizar e analisar os chefes de governo economistas no continente americano, apresentando um quadro comparativo e perfis analíticos que evidenciam de que maneira a formação em Economia se relaciona com suas orientações de governo e escolhas de política pública.

Será 2026 um bom ano para a economia nas Américas?

Para os líderes da Argentina, Colômbia, Paraguai, Costa Rica, República Dominicana, Santa Lúcia e Canadá, o ano de 2026 poderá representar tanto oportunidades relevantes quanto desafios significativos, condicionados à evolução do cenário macroeconômico global, à estabilidade política interna e à capacidade de implementação de reformas estruturais.

Fatores como a guerra comercial iniciada pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, as mudanças climáticas e as recorrentes oscilações dos preços internacionais das commodities agrícolas, minerais e energéticas, além de outros condicionantes externos, contribuem de forma relevante para a instabilidade e a reconfiguração da economia global, com sérios impactos nas economias das Américas.

Outros fatores, como a trajetória das taxas de juros internacionais, o desempenho do comércio exterior, a transição energética, os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED) e a gestão fiscal serão determinantes para o crescimento econômico e a estabilidade social nesses sete países no continente americano.

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A recente ação norte-americana na Venezuela, com a prisão de Nicolás Maduro, certamente agrega um componente a mais de instabilidade política, com consequências ainda imprevisíveis não apenas para a Venezuela, mas também para países limítrofes, entre os quais a Colômbia, cujo presidente, Gustavo Petro tem dado fortes declarações condenando a iniciativa de Donald Trump.

Javier Milei, presidente da Argentina, é economista de formação, com trajetória acadêmica como professor universitário e atuação profissional como consultor econômico no HSBC. Tornou-se amplamente conhecido por suas posições teóricas alinhadas ao liberalismo econômico, com forte crítica à intervenção estatal excessiva e defesa dos mecanismos de mercado.

Javier Gerardo Milei realizou graduação em Economia na Universidade de Belgrano (Argentina) e mestrado em Economia na Universidad Torcuato Di Tella (Argentina), instituições de reconhecida tradição na formação econômica no país. Milei é um economista libertário e grande opositor das ideias marxistas, keyneasianas, neokeynesianas e socialistas.

Sua gestão presidencial é marcada por políticas voltadas ao combate à inflação crônica, ao ajuste fiscal, à redução do tamanho do Estado na economia argentina e à reorientação do papel do setor público na economia. A influência direta de sua formação em Economia é evidente tanto no discurso quanto na formulação das políticas públicas e no papel da Argentina nos diálogos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Grupo dos Vinte (G20) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

Gustavo Petro, presidente da Colômbia, possui formação em Economia, combinada com uma longa trajetória política. Sua visão econômica está associada a temas como desenvolvimento sustentável, justiça social, reforma produtiva e transição energética. Petro foi integrante da extinta organização guerrilheira Movimento 19 de Abril (M-19), vereador da cidade de Zipaquirá, prefeito de Bogotá e senador da República.

Gustavo Francisco Petro Urrego realizou graduação em Economia na Universidad Externado da Colômbia e mestrado em Economia na Université Catholique de Louvain, na Bélgica.

No exercício da presidência, busca conciliar estabilidade macroeconômica com reformas estruturais destinadas a enfrentar desigualdades históricas, utilizando instrumentos econômicos articulados a políticas sociais e ambientais. Sua formação contribui para uma leitura crítica do modelo econômico tradicional colombiano.

Santiago Peña, presidente do Paraguai, é economista com experiência no setor financeiro, em cargos governamentais e em organismos internacionais. Antes de assumir a presidência, atuou em funções diretamente ligadas à política fiscal e à gestão macroeconômica. Penã foi membro do Conselho de Administração do Banco Central do Paraguai e ministro da Fazenda.

Santiago Peña Palacios realizou graduação em Economia na Universidade Católica Nuestra Señora de la Asunción (Paraguai) e mestrado em Economia na Universidade de Columbia (EUA). Peña já escreveu três livros sobre a economia paraguaia com foco na inflação, economia monetária e setor bancário.

Seu governo enfatiza estabilidade macroeconômica, responsabilidade fiscal e atração de IED, mantendo uma orientação técnica na condução da política econômica, alinhada a princípios de previsibilidade, credibilidade institucional e integração regional.

Rodrigo Chaves, presidente da Costa Rica, possui doutorado em Economia e construiu sua carreira em organismos internacionais, com destaque para sua atuação no Banco Mundial. Sua experiência inclui análise de políticas públicas, finanças públicas e economia do desenvolvimento. O economista costarriquenho Rodrigo Chaves foi ministro das Finanças da Costa Rica.

Rodrigo Chaves Robles realizou graduação em Economia na Universidade da Costa Rica, além de mestrado e doutorado em Economia na Ohio State University, nos EUA.

Na presidência, aplica uma abordagem técnica à gestão do Estado, defendendo reformas administrativas, eficiência dos gastos públicos e políticas econômicas voltadas ao crescimento econômico sustentável e à disciplina fiscal. Chaves é forte oponente à corrupção em seu país.

Luis Abinader, presidente da República Dominicana, é licenciado em Economia e possui ampla experiência no setor turístico, na área educativa e empresarial, revelando compromisso cívico e com serviços comunitários.

Luis Rodolfo Abinader Corona fez o bacharelado no Colégio Loyola e obteve a licenciatura em Economia no Instituto Tecnológico de Santo Domingo (INTEC). Realizou estudos de pós-graduação em Gerência de Projetos no Instituto Arthur D. Little de Cambridge, Massachusetts, nos EUA. Também realizou estudos de Finanças Corporativas e Engenharia Financeira na Harvard University e de Gerência Avançada no Dartmouth College, em New Hampshire, também nos EUA.

Sem esconder sua preocupação com a difícil situação socioeconômica do Haiti, país vizinho que enfrenta uma longa crise política, econômica e social, Luis Abinader se comprometeu a levar adiante uma série de profundas reformas para devolver ao país a institucionalidade e poder servir à sociedade dominicana.

Philip Joseph Pierre, primeiro-ministro de Santa Lúcia, é economista e político de Santa Lúcia que ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 28 de julho de 2021, tendo sido reeleito nas eleições legislativas de dezembro de 2025. Líder do Partido Trabalhista desde 2016, acumula os cargos de ministro das Finanças, Desenvolvimento Econômico e Economia da Juventude. Atuou anteriormente como ministro do Turismo, Aviação Civil e Serviços Financeiros Internacionais de 1997 a 2000; vice-primeiro-ministro e ministro das Infraestruturas, Serviços Portuários e Transportes de 2011 a 2016.

Filho de uma professora e de um policial, Philip J. Pierre estudou no Saint Mary’s College (Santa Lúcia), completou o bacharelado em Economia e o mestrado em Administração de Empresas pela University of the West Indies (Jamaica).

Em sua campanha para a reeleição como primeiro-ministro, Philip J. Pierre se comprometeu a implementar uma gestão econômica austera, mantendo a estabilidade, além de combater o crime, a violência e a venda ilegal de passaportes.

Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, é economista de reconhecimento internacional, com formação acadêmica de alto nível e extensa experiência em política monetária e estabilidade financeira. Antes de assumir o cargo de primeiro-ministro do Canadá, foi governador do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra. Carney foi também economista do banco americano Goldman Sachs nos escritórios de Boston, Londres, Nova York, Tóquio e Toronto.
Mark Joseph Carney realizou graduação em Economia na Universidade de Harvard (EUA) e mestrado e doutorado em Economia na Universidade de Oxford (Inglaterra).

Sua trajetória destaca-se pela atuação em regulação do sistema bancário, gestão de crises financeiras, em especial a crise de 2008, e coordenação de políticas monetárias, incluindo períodos de elevada tensão econômica internacional e disputas comerciais.

Como chefe de governo, da décima maior economia do mundo e melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Américas, representa um caso singular no continente americano de liderança política com forte base tecnocrática e econômica.

Concluindo, a presença de sete chefes de governo com formação em Economia no continente americano evidencia a relevância do conhecimento econômico na formulação e condução das políticas públicas, especialmente nas áreas de finanças públicas, crescimento econômico, combate à inflação e redução das desigualdades sociais.

Entretanto, a análise comparada desses líderes demonstra que a formação em Economia não conduz a um modelo único de governo. Ao contrário, pode fundamentar estratégias liberais, desenvolvimentistas ou socialistas, dependendo do contexto político, institucional e histórico de cada país.

Assim, além da qualificação técnica, fatores como liderança política, legitimidade democrática e compromisso social permanecem determinantes para o sucesso governamental nas Américas no ano de 2026.

Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do PSD e da Fundação Espaço Democrático. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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