
O mercado imobiliário da Paraíba encerrou o primeiro semestre de 2026 com números expressivos. Somados, João Pessoa e Cabedelo registraram mais de R$ 2 bilhões em vendas, com forte participação de compradores de outros estados e uma clara concentração de interesse em regiões próximas à orla. O volume de negócios se manteve elevado mesmo diante de oscilações mensais, e bairros como Intermares passaram a concentrar parte significativa da demanda em Cabedelo. Para analisar esse cenário e responder às principais dúvidas de quem está no mercado, Alysson Rocha, diretor da Construtora A2R2, comenta o momento atual, o comportamento do comprador e as tendências que vêm se consolidando.
1. Na sua opinião, como está o mercado imobiliário na região metropolitana de João Pessoa e no litoral norte neste momento?
É um mercado muito forte, mas que está entrando numa fase de maior maturidade. Sete em cada dez compradores nossos já vêm de fora da Paraíba. João Pessoa deixou de ser um mercado local. A gente recebe comprador de vários estados, procurando moradia, segunda residência e investimento. Isso aumenta a demanda, mas aumenta também a exigência. Lançar um prédio numa boa localização já não basta. E esse movimento está se espalhando pela região metropolitana e pelo litoral norte. João Pessoa continua sendo o motor, mas Cabedelo vem ganhando uma relevância enorme.
2. A procura por imóveis em regiões como Intermares e Cabedelo tem características específicas em relação a outras áreas da Grande João Pessoa?
Tem, com certeza. Intermares reúne três perfis de comprador no mesmo bairro: quem compra para morar, quem procura segunda residência e um volume cada vez maior de investidores. É difícil encontrar outro lugar com proximidade real do mar, boa infraestrutura e uma escala urbana ainda agradável. Existe também uma mudança de percepção. Durante muito tempo, morar em Cabedelo significava estar longe de João Pessoa. Hoje, a divisa entre João Pessoa e Cabedelo só existe no mapa. Intermares, Bessa, Jardim Oceania e Ponta de Campina são, na prática, um mesmo eixo urbano. Os números mostram isso. Em junho, Intermares respondeu sozinho por quase 60% das unidades comercializadas em Cabedelo.
3. Quando se soma João Pessoa e Cabedelo, o volume de vendas do semestre ultrapassa R$ 2 bilhões. Isso indica um mercado aquecido ou ainda há espaço para crescimento?
As duas coisas. Mais de R$ 2 bilhões em seis meses é um número muito relevante para o tamanho da nossa região. E eu ainda vejo bastante espaço, porque João Pessoa está sendo descoberta pelo resto do país: litoral urbano bonito, qualidade de vida e um custo ainda competitivo frente a outras capitais do Nordeste. Agora, com mais oferta, o comprador compara mais. Mercado aquecido não salva produto ruim.
4. Studios e imóveis de 1 dormitório juntos representam quase 40% das vendas. Essa demanda por unidades menores é uma tendência consolidada ou algo passageiro?
A demanda veio para ficar, mas o mercado está passando por um ajuste. Houve uma corrida forte por imóveis ultracompactos, porque o ticket de entrada era baixo e eles eram vistos quase automaticamente como bom investimento. Essa lógica está amadurecendo. Apartamento é, antes de tudo, um lugar para morar, e existe um limite para o quanto você reduz uma unidade sem comprometer a vida de quem vai usar aquele espaço. Tem studio que foi desenhado para a planilha do investidor, e ninguém mora em planilha. O compacto bem resolvido, com planta inteligente, áreas comuns que funcionam, serviços adequados e boa localização, vai continuar vendendo bem. O outro vai ter mais dificuldade, tanto na venda quanto depois na locação.
5. Mais da metade das unidades vendidas em junho estavam em construção, enquanto imóveis na planta e prontos dividem o restante. O que pesa mais na decisão do comprador hoje?
O imóvel em construção ocupa uma posição confortável para o comprador. Ele já vê a obra acontecendo, sente menos risco do que comprando só um projeto e ainda pega parte da valorização até a entrega. Mas o que mais pesa hoje é confiança: saber que o que foi apresentado na venda vai ser entregue, e no prazo. Render bonito todo mundo tem. Obra entregue, com 47 anos de história, pouca gente tem. Com tanto lançamento na rua, o cliente pergunta cada vez mais o que a construtora já entregou, e essa pergunta tem decidido venda.
6.A orla e regiões próximas ao litoral continuam puxando as vendas. Qual o peso real da proximidade com a praia e da qualidade de vida na decisão de compra atualmente?
É enorme, e vai além da vista para o mar. As pessoas estão comprando uma rotina: correr na orla, caminhar, sair de casa a pé, ter serviço perto e passar menos tempo no carro. Depois da pandemia, isso virou critério principal de escolha.
7. Que tendências para os próximos anos você visualiza para o mercado imobiliário paraibano?
A principal é um comprador mais maduro. A gente viveu alguns anos em que a sensação de oportunidade bastava para fechar uma venda. Essa fase da compra por impulso está ficando para trás, e eu vejo isso como sinal de um mercado mais saudável e mais profissional.
Com isso, as fórmulas prontas perdem força. Nenhuma tipologia funciona para tudo, e o projeto vai precisar ser pensado para o perfil de cada bairro e de cada público.
Vejo também um fortalecimento grande de Cabedelo e do eixo em direção ao litoral norte, e marca e reputação pesando cada vez mais na decisão. O mercado paraibano tem muito espaço para crescer. O próximo ciclo só vai ser mais seletivo.


