João Pessoa: 15 de junho de 2024

A Inteligência Artificial na Economia Mundial: Oportunidades e Desafios na Indústria 4.0

Publicado em: 21 de maio de 2024

Paulo Galvão Jr.PAULO GALVÃO JR.

Economista, escritor, palestrante, professor de Economia no UNIESP, autor de 12 eBooks de Economia pela Editora UNIESP e Conselheiro do CORECON-PB.

Fonte: RÁDIO ALTA POTÊNCIA.
Considerações Iniciais
A Inteligência Artificial (IA) emergiu em 1956 como uma força transformadora na economia mundial, impulsionando eficiência, inovação e produtividade. Desde a automação de tarefas rotineiras até a personalização de experiências de consumo, a IA está redefinindo a maneira como as empresas operam e os consumidores interagem com seus novos produtos e serviços.

Além disso, a IA está promovendo avanços significativos em áreas como saúde, educação, transporte e energia, proporcionando benefícios amplos e diversificados. Sua aplicação está cada vez mais presente em soluções de diagnóstico médico, plataformas educacionais personalizadas, veículos autônomos e redes de energia inteligentes, refletindo seu impacto abrangente em diversos segmentos econômicos.

Neste novo artigo para o Portal North News, em Toronto, no Canadá, exploramos os impactos da IA na economia mundial, as oportunidades e os desafios em plena Quarta Revolução Industrial. A análise abrange tanto os aspectos positivos quanto as preocupações que precisam ser endereçadas para garantir um desenvolvimento sustentável.

As Três Etapas Tradicionais da IA

A IA veio para acelerar os negócios com eficiência e custos baixos na economia mundial. O mercado global de IA foi avaliado em aproximadamente US$ 62,3 bilhões em 2020. As três etapas tradicionais da IA são amplamente discutidas: 1) IA Estreita; 2) IA Geral; e 3) Superintilegência Artificial.

IA Estreita (ANI – Artificial Narrow Intelligence)

A IA Estreita também conhecida como IA fraca, é especializada em realizar tarefas específicas. Exemplos incluem sistemas de reconhecimento de voz, algoritmos de recomendação, assistentes virtuais como Alexa, e programas de diagnóstico médico.

A IA Estreita tem visto avanços graças ao aprendizado profundo (deep learning) e grandes quantidades de dados disponíveis. Um dos exemplos notáveis incluem o GPT-4 da OpenAI, com sede em São Francisco, nos Estados Unidos da América (EUA), que pode gerar texto com alta coerência e precisão, além de lidar com entradas de texto, áudio, imagem e vídeo, tornando-o um modelo verdadeiramente multimodal.

Apesar de ser altamente eficaz em tarefas específicas, a IA Estreita não possui compreensão ou inteligência geral. Seu desempenho cai significativamente fora do domínio para o qual foi treinada.

A IA fraca está profundamente integrada em vários segmentos como saúde, finanças, manufatura e entretenimento. Esta integração está impulsionando a eficiência e a inovação na Indústria 4.0. Nas finanças, por exemplo, os bancos como JPMorgan e Goldman Sachs estão utilizando ANI para análise de mercado e previsão de tendências econômicas.

IA Geral (AGI – Artificial General Intelligence)

A IA Geral é um sistema com capacidade de compreender, aprender e aplicar conhecimento em uma ampla gama de tarefas, similar à inteligência humana. A AGI pode realizar qualquer tarefa intelectual que um ser humano pode, com a mesma flexibilidade e adaptabilidade.

A AGI ainda é teórica e permanece no domínio da pesquisa. Nenhum sistema atual possui as capacidades necessárias para ser considerado uma AGI. Ao contrário da IA Estreita, que é projetada para executar tarefas específicas, a AGI teria a flexibilidade cognitiva para resolver problemas em múltiplos domínios, adaptando-se a novos contextos e aprendendo com experiências diversas.

Desenvolver AGI exige avanços em áreas como compreensão de contexto, raciocínio abstrato, aprendizado transferível e consciência. A AGI seria capaz de compreender contextos complexos, fazer inferências e tomar decisões baseadas em uma compreensão profunda e holística do mundo.

A chegada da AGI poderia revolucionar a forma como trabalhamos, aprendemos e vivemos, mas também levanta questões éticas e de segurança importantes. As preocupações incluem o potencial desemprego em massa, uso indevido de IA e perda de controle humano sobre sistemas avançados.

Superinteligência Artificial (ASI – Artificial Superintelligence)

A Superinteligência Artificial refere-se a sistemas que não apenas igualam, mas superam a inteligência humana em todos os aspectos – criatividade, resolução de problemas e capacidade emocional. A ASI teria habilidades intelectuais que ultrapassam de longe as dos humanos mais brilhantes, como o cientista brasileiro Miguel Nicolelis.

Embora ainda seja um conceito hipotético, a ASI é um tópico de intenso debate entre futuristas e pesquisadores de IA. Alguns acreditam que poderia ser alcançada nas próximas décadas, enquanto outros são mais céticos.

A ASI poderia representar um risco existencial para a humanidade se seus objetivos não estiverem alinhados com os nossos. Problemas de alinhamento de valores e controle são cruciais.

Se desenvolvida e controlada de forma segura, a ASI poderia ajudar a resolver problemas globais complexos, como mudanças climáticas, doenças e pobreza, de maneiras que atualmente parecem impossíveis.

O progresso na IA é um campo dinâmico e em rápida evolução na economia mundial. Enquanto ANI já está transformando indústrias, a AGI e a ASI continuam a ser o horizonte de pesquisa e desenvolvimento (P&D). À medida que avançamos, é crucial equilibrar a inovação tecnológica com considerações éticas e de segurança para garantir que a IA beneficie a sociedade de maneira sustentável e segura.

Principais Oportunidades da IA na Economia Mundial

O mercado global de IA está projetado para alcançar US$ 733,7 bilhões até 2027. Nesta seção abordaremos as duas principais oportunidades da IA na economia mundial: i) Automação e eficiência operacional; e ii) Inovação e desenvolvimento de produtos.

Automatização e Eficiência Operacional

Uma das contribuições mais significativas da IA para a economia mundial é a automatização de processos e tarefas repetitivas. Algoritmos de aprendizado de máquina e sistemas de IA podem analisar grandes volumes de dados em tempo real, identificar padrões e tomar decisões com rapidez e precisão.

Essa capacidade analítica não só aumenta a eficiência como também permite a antecipação de problemas e a implementação de soluções proativas, como a manutenção preditiva em máquinas industriais e a gestão otimizada de estoques.

Isso permite que as empresas otimizem seus processos operacionais, reduzam custos e aumentem a produtividade. Da manufatura à logística, a automação impulsionada pela IA está remodelando cadeias de suprimentos e operações empresariais em todo o mundo.

Além disso, a automação pode liberar os trabalhadores de tarefas monótonas, permitindo que se concentrem em atividades mais complexas e criativas, agregando maior valor às operações. Isso também pode contribuir para a criação de ambientes de trabalho mais seguros, minimizando a exposição a tarefas perigosas.

Inovação e Desenvolvimento de Produtos

A IA também está catalisando a inovação ao capacitar as empresas a desenvolverem produtos e serviços mais inteligentes e personalizados. Por meio da análise preditiva e da compreensão avançada do comportamento do consumidor, as empresas podem criar ofertas mais alinhadas às necessidades e preferências individuais.

As tecnologias de IA como processamento de linguagem natural e visão computacional estão permitindo a criação de produtos com funcionalidades avançadas e adaptativas, como interfaces de usuário mais intuitivas e sistemas de recomendação altamente precisos.

Desde assistentes virtuais até sistemas de recomendação em plataformas de comércio eletrônico, a IA está ampliando as fronteiras da personalização e melhorando a experiência do cliente em uma variedade de segmentos econômicos. A capacidade de oferecer soluções sob medida não só aumenta a satisfação do cliente como também fideliza a base de consumidores, proporcionando vantagens competitivas significativas para as empresas inovadoras. Adicionalmente, a IA facilita a P&D ao acelerar a descoberta de novos produtos.

Principais Desafios da IA na Economia Mundial

De acordo com um relatório da PwC, a IA pode contribuir com até US$ 15,7 trilhões para a economia global até 2030. Desses, US$ 6,6 trilhões serão provenientes do aumento da produtividade e US$ 9,1 trilhões do aumento do consumo. Nesta nova seção abordaremos os dois principais desafios da IA na economia mundial: i) Impacto no mercado de trabalho; e ii) Desafios éticos e regulatórios.

Impacto no Mercado de Trabalho

Apesar dos benefícios econômicos da IA, sua adoção generalizada também levanta preocupações sobre o impacto no mercado de trabalho na economia mundial. À medida que a automatização substitui tarefas anteriormente realizadas por humanos, alguns empregos tradicionais podem se tornar obsoletos.

Estudos indicam que setores como manufatura, transporte e atendimento ao cliente estão entre os mais afetados, o que pode levar a um aumento no desemprego estrutural, com o surgimento do ChatGPT em 2022, a melhor geradora de texto do mundo na atualidade.

Um estudo da McKinsey Global Institute estima que até 2030, entre 400 milhões e 800 milhões de trabalhadores em todo o mundo podem ser substituídos por automação, mas também prevê a criação de 555 milhões a 890 milhões de novos empregos devido a IA.

No entanto, a IA também está criando novas oportunidades de emprego, especialmente em áreas como ciência de dados, desenvolvimento de algoritmos e manutenção de sistemas de IA. A chave para mitigar os impactos negativos no mercado de trabalho é investir em educação de qualidade e requalificação profissional (reskilling) para capacitar os trabalhadores a se adaptarem às demandas de uma economia mundial impulsionada pela IA.

Programas de treinamento contínuo e políticas públicas focadas em desenvolvimento de habilidades serão cruciais para essa transição. Além disso, parcerias entre setores público e privado podem acelerar a criação de programas educacionais que atendam às novas necessidades do mercado.

Desafios Éticos e Regulatórios

A ascensão da IA também levanta questões éticas e regulatórias. Preocupações sobre privacidade de dados, viés algorítmico e responsabilidade em caso de falhas de sistemas de IA destacam a necessidade de frameworks regulatórios. Governos e organizações nacionais e internacionais estão trabalhando para desenvolver políticas públicas e padrões éticos que garantam o uso responsável da IA na economia mundial.

A criação de regulamentos eficazes requer um equilíbrio delicado entre incentivar a inovação e proteger os direitos dos cidadãos. Isso inclui a implementação de práticas transparentes, auditorias regulares dos algoritmos e a promoção de diversidade nos dados usados para treinar sistemas de IA.

A cooperação internacional será essencial para harmonizar essas normas e garantir que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos. Além disso, a criação de comitês de ética em IA pode ajudar a supervisionar e orientar o desenvolvimento e a implementação dessas tecnologias, assegurando que sejam alinhadas com os valores sociais.

Considerações Finais

Conclui-se que, à medida que a IA continua a moldar a economia mundial, é essencial que empresas, trabalhadores, governos e sociedade civil estejam preparados para os desafios e oportunidades apresentados em plena Quarta Revolução Industrial. O sucesso dependerá da capacidade de abraçar a mudança com uma abordagem ética, regulatória e inclusiva.

É preciso ressaltar que a IA tem o potencial de impulsionar a inovação, aumentar a eficiência e melhorar o bem-estar humano, mas seu sucesso depende de uma abordagem ética, regulatória e inclusiva. Ao adotar uma visão equilibrada e proativa, podemos aproveitar ao máximo o poder transformador da IA para criar uma economia mundial mais resiliente, dinâmica e sustentável.

Enfim, a IA está tendo um impacto profundo e crescente na economia global, transformando setores inteiros e criando tanto oportunidades quanto desafios. Logo, a colaboração entre todos os stakeholders será fundamental para garantir que a IA seja uma força positiva na economia mundial. A preparação e a adaptação contínua às mudanças tecnológicas são essenciais para maximizar os benefícios da IA e mitigar seus desafios em plena Indústria 4.0.

(*) APRESENTADOR DO PROGRAMA ECONOMIA EM ALTA NA RÁDIO ALTA POTÊNCIA.

Na terça-feira (21.05), às 19h, teremos o programa apresentado pelo economista e professor Paulo Galvão Júnior. A proposta do programa é falar sobre “A Inteligência Artificial na Economia Mundial”. E no programa teremos como convidado o Professor e Doutor em Economia, Cássio Besarria. Não perca, às 19h, na Rádio Alta Potência, uma rádio WEB da capital paraibana.
Para assistir ao vivo, e depois gravado, o programa Economia em Alta. Siga o YouTube da Rádio Alta Potênciawww.youtube.com/@radioaltapotencia897
Para ouvir, ao vivo, o Economia em Alta e toda programação da Rádio Alta Potência:
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Patrocinadores: BLUE BI SOLUTION (SP) e COMPANHIA USINA SÃO JOÃO (PB).
Apoio: CORECON-PB e FÓRUM CELSO FURTADO DE DESENVOLVIMENTO DA PARAÍBA.

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