João Pessoa: 20 de agosto de 2026

Processo judicial avança após mortes de crianças em UTI de Curitiba

Publicado em: 19 de agosto de 2026

O Tribunal de Justiça do Paraná deu seguimento à denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná contra a médica responsável pela UTI Pediátrica do Hospital Angelina Caron, localizado em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A profissional está sendo acusada de homicídio culposo em relação a seis crianças e recém‑nascidos que perderam a vida nos últimos meses.

Segundo o MPPR, as fatalidades ocorreram entre maio e julho de 2024, atingindo vítimas com idade entre dois meses e onze anos. As crianças faleceram por septic shock e falência múltipla de órgãos, consequência de uma grave contaminação intra‑hospitalar por bactérias multirresistentes. Esses elementos foram detalhados na peça acusatória que fundamenta a ação penal.

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público requereu indenização mínima de R$ 50 mil para cada família das vítimas, reforçando a gravidade da suposta negligência. O pedido de reparação financeira está explicitamente mencionado na denúncia, indicando a intenção de compensar os danos sofridos pelas famílias.

Repercussões institucionais

O Hospital Angelina Caron divulgou que ainda não recebeu citação oficial e que o processo está sob sigilo judicial, limitando seu acesso aos autos. A instituição assegurou que, ao ser citada, disponibilizará ao Judiciário todas as informações e documentos necessários para o completo esclarecimento dos fatos, reiterando seu compromisso com a segurança dos pacientes e o cumprimento das normas técnicas e sanitárias.

A Assessoria de Imprensa do Hospital Angelina Caron (HAC) esclarece que, até o presente momento, a instituição não recebeu citação oficial referente ao processo mencionado em reportagem veiculada recentemente. O processo tramita sob sigilo judicial e, portanto, a instituição não teve acesso ao inteiro teor dos autos nem dispõe, até o momento, de todas as informações relacionadas ao caso. Dessa forma, não é possível ao hospital se manifestar sobre o mérito da ação. O HAC informa que, tão logo seja oficialmente citado, prestará ao Poder Judiciário, dentro dos prazos legais, todos os esclarecimentos pertinentes e fornecerá as informações e documentos necessários para o completo esclarecimento dos fatos. A instituição reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, com o cumprimento das normas técnicas, sanitárias e assistenciais vigentes e com a transparência e a colaboração com as autoridades competentes.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) comunicou que abrirá um procedimento sindicante para investigar a conduta da médica e da equipe técnica. As sanções previstas podem variar de advertência até a cassação da licença profissional, demonstrando a seriedade com que a entidade reguladora trata o caso.

Desdobramentos e perspectivas

Com a aceitação da denúncia, o processo judicial avançará para fases subsequentes, que podem culminar em julgamento para definir a responsabilidade criminal da profissional. A combinação da demanda de indenização, a resposta do hospital sob sigilo judicial e a investigação do CRM cria um cenário complexo que pode influenciar futuras políticas de biossegurança nos hospitais da região. O desfecho poderá gerar mudanças nos protocolos de assepsia e na fiscalização interna de unidades de terapia intensiva.

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