Com a chegada do Julho Amarelo, a Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), intensifica as mobilizações de prevenção e diagnóstico precoce das hepatites virais. A iniciativa busca combater essas infecções silenciosas que atacam o fígado e causam cerca de 1,34 milhão de mortes anuais no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).



Diferente do cenário global, o Brasil conseguiu reduzir em 50% a mortalidade por hepatite B e em 60% os óbitos por hepatite C na última década, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. O avanço é reflexo direto das ações de vacinação e da oferta massiva de testagem rápida pelo SUS.
Em João Pessoa, os tipos mais comuns da doença são as hepatites A, B e C, que funcionam de formas diferentes. A hepatite A está ligada à falta de saneamento e higiene, sendo transmitida por água ou alimentos contaminados. Já as hepatites B e C são as que mais preocupam por apresentarem risco de virar uma doença crônica. O tipo B é transmitido principalmente pelo sexo sem camisinha o que a classifica como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), pelo sangue ou de mãe para filho no parto, tendo a vacina como principal proteção. Por fim, a hepatite C é passada pelo contato com sangue infectado, como no compartilhamento de alicates de unha ou lâminas, e como não tem vacina, o cuidado e o teste rápido são os caminhos para combatê-la.
A gerente de Vigilância Epidemiológica de João Pessoa, Danielle Melo, alerta para a importância de buscar o diagnóstico preventivo na rede de saúde, mesmo sem apresentar sintomas. “Muitas pessoas convivem com os vírus B ou C por anos sem saber. Nosso papel na Vigilância é acompanhar de perto o comportamento dessas infecções na Capital e, por serem silenciosas, sabemos que há uma subnotificação importante. Por isso, nossa meta neste Julho Amarelo é facilitar o acesso à testagem rápida. Descobrir a doença no início, além de assegurar o tratamento adequado pelo SUS, nos permite monitorar os casos reais na cidade e planejar ações eficazes para bloquear a cadeia de transmissão”, ressaltou Danielle Melo.
Prevenção – A população tem acesso às vacinas contra as hepatites A e B nas salas de vacinação da rede municipal de saúde, de acordo com o calendário e os públicos definidos pelo Ministério da Saúde. A vacina contra a hepatite A é indicada para crianças de até 4 anos, além de pessoas que vivem com HIV e pacientes com hepatites B ou C. Já a imunização contra a hepatite B é recomendada para toda a população, independentemente da idade.
A primeira dose da vacina monovalente deve ser aplicada preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida do bebê e o esquema vacinal é completado aos 2, 4 e 6 meses de idade com a vacina Pentavalente. Para adolescentes, adultos e idosos que não receberam a vacina na infância, o SUS oferece o esquema de três doses, conforme a situação vacinal. Pessoas com imunodeficiência ou que vivem com HIV recebem um esquema especial, com dose dobrada, disponibilizado nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
“Além da vacinação, a testagem rápida é uma das principais estratégias para identificar precocemente as hepatites virais e interromper a cadeia de transmissão. O procedimento para os tipos B e C é simples, seguro e fornece um resultado confiável em aproximadamente 20 minutos, utilizando apenas uma gota de sangue coletada da ponta do dedo. Descobrir a infecção logo no início faz toda a diferença para o sucesso do tratamento, que é ofertado integralmente pelo SUS”, reforça Danielle Melo.
Atualmente, é possível ter controle eficaz da hepatite B com medicamentos de uso contínuo e garantem taxas de cura superiores a 90% para a hepatite C, por meio de tratamentos orais de curta duração. Para realizar os testes rápidos e atualizar a caderneta de vacinação, os cidadãos podem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência, onde os serviços são ofertados regularmente.
Nos casos em que o teste apresenta resultado positivo para hepatite B ou C, o paciente é acolhido e encaminhado ao Serviço de Assistência Especializada (SAE) do Município, onde uma equipe multiprofissional realiza o acompanhamento especializado e garante o acesso aos medicamentos necessários para o tratamento.
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Texto: Wanuska Marrocos
Edição: Lilian Moraes
Fotografia: Letícia Beatriz e Daniel Silva

