O candidato ao Governo do Estado Cícero Lucena participou de plenárias com moradores de diversos bairros da Capital nesta terça-feira (8). Os encontros foram oportunidade de diálogo e formalização de compromissos, entre eles a implantação de políticas públicas de proteção social. A proposta de Cícero é instituir uma rede de proteção que chega primeiro a quem mais precisa, com prioridade para a primeira infância, a pessoa idosa e o combate à fome. “O Estado vai deixar de esperar que a família bata à sua porta e vai passar a procurá-la. O que trava a proteção social na Paraíba é não saber quem precisa e onde está, é a dispersão dos benefícios em balcões que não conversam”, afirmou Cícero. O candidato se comprometeu com a unificação da base de dados, permitindo a criação de um mapa completo dos beneficiados do Estado e a criação de um índice de vulnerabilidade que permita a identificação de prioridades e oriente a destinação de recursos. Entre os programas a serem implantados estão iniciativas de segurança alimentar que foram bem sucedidas na Capital, como o programa Pão e Leite e a terceira refeição em cozinhas comunitárias. Idosos também terão atenção destacada com iniciativas como a implantação dos Centros Regionais 60+ e a estruturação do cuidado domiciliar, além do apoio a instituições do terceiro setor. Pensando nas crianças em situação de vulnerabilidade, a proposta de Cícero é avaliar com os municípios onde há maior percentual de famílias em situação de extrema pobreza para a adoção do programa complementar “Renda da Primeira Infância”, como auxílio extra às famílias com crianças de zero a seis anos. Os eventos foram organizados por lideranças locais, entre elas os vereadores Ícaro Chaves e Marcos Vinícius. Participaram também candidatos a deputado estadual como Dinho Dowsley, Hervásio Bezerra e Camila Toscano.

Publicado em: 9 de setembro de 2026

rascunho automatico

Demanda de mais de uma década dos povos originários, a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV) será pauta no Congresso Nacional, por iniciativa da ex-ministra e deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP). A parlamentar organizou uma audiência pública para 17 de novembro na Câmara dos Deputados, com o objetivo de avançar na proposta.ebcebc

A audiência foi aprovada por meio do Requerimento nº 86/2026 na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. O documento destaca a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) como uma das entidades que vêm reiterando a necessidade de se captar, com a formação da CNIV, mais elementos que comprovem ações de despotismo durante a ditadura militar.

Ao criar a CNIV, o objetivo é responsabilizar o Estado pelas violências que cometeu, que assumiram a forma de escravização, estupros, envenenamentos, torturas, remoções dos indígenas de seus territórios, entre outras. Houve ainda pessoas desaparecidas e presas ilegalmente e com bens culturais destruídos.

Devem comparecer à audiência, além de lideranças indígenas, representantes do poder público, do sistema de Justiça, da sociedade civil e pesquisadores. Eles devem apresentar contribuições, ampliando a documentação feita pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), que é reconhecida pelo movimento indígena mas insuficiente, por conter descrições dos impactos na vida de dez povos apenas.

As populações dos Tapayuna, Parakanã, Araweté, Arara, Panará, Waimiri-atroari, Cinta-larga, Xetá, Yanomami e Xavante equivaliam, somadas, a 3,3% dos povos identificados na época. O levantamento permitiu que se chegasse a uma estimativa de 8.350 indígenas assassinados entre 1964 e 1985. A contagem oficial do Brasil relaciona 305 povos, número que aumenta com os classificados como em isolamento e é provavelmente inferior à quantidade real.

Eliminados

Um dos não indígenas mais incansáveis nessa luta, o jornalista Marcelo Zelic, que morreu em maio de 2023 em decorrência de um AVC, era integrante do Grupo de Trabalho (GT) Indígena da CNV e questionou o relatório concluído em 2014. A primeira versão tinha somente 35 páginas, quase o total de unidades federativas do Brasil. Era como se em uma página pudessem ser resumidos todos os crimes ocorridos em 21 anos de ditadura, caso dedicassem uma página por estado.

Após protestos do GT e a manifestação de descontentamento de Zelic com a qualidade do relatório, na 29ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA), o material foi substituído.

Ao questionar as autoridades sobre as versões do documento, Marcelo Zelic apresentou o texto “Comissão Nacional da Verdade e Povos Indígenas: a um passo da omissão” para expressar sua indignação com a síntese, que considerou curta demais. Ele afirma que o Estado facilitou a prática das violências e que isso fica evidente quando se descobre que muitas eram perpetradas por funcionários do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), ativo de 1910 a 1967, e que foi sucedido pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Os povos indígenas foram um dos grupos sociais mais violados em seus direitos no período de apuração da CNV (1946-1988), crimes bárbaros foram praticados em todas as décadas em questão, por ação, conivência, corrupção e omissão do Estado brasileiro, diz no texto. Ele citou o Relatório Figueiredo e fundou e coordenou o projeto Armazém Memória.

No texto, Zelic sugere que a comissão deveria contar com uma coordenação-geral e uma equipe técnica para auxiliar nos trabalhos e por um colegiado de comissionados, composto por órgãos do Estado, representações dos povos indígenas e entidades da sociedade civil de caráter indigenista e de direitos humanos, responsáveis pela estruturação da Rede de Comissões da Verdade Indígena (Rede CVI). Assim, casos concluídos pela Rede CVI seriam enviados ao colegiado para a abertura de processos.

Uma condição para sustentar esse fluxo seria estimular os povos originários a criarem comissões para si e em universidades que possam colaborar com levantamentos. Outra finalidade diz respeito à mensuração de impactos territoriais, sociais, culturais e espirituais na vida das comunidades.

“Não podemos construir uma democracia verdadeira sem reconhecer as violências cometidas contra os povos indígenas. Precisamos garantir o direito à memória e à verdade, identificar responsabilidades e construir políticas de reparação integral para que essas violações nunca mais se repitam”, afirma Sônia Guajajara.

Edição:

Graça Adjuto
Agência Brasil

Tags:

Compartile:

Widget Cotação
Cotação de Moedas
Carregando...
Loterias Caixa
Loterias Caixa
Carregando resultados...
Notícia Extra | Notícias da Paraíba
Visão geral da privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.