João Pessoa: 12 de fevereiro de 2026

Atleta com capacete em homenagem à guerra na Ucrânia é desclassificado

Publicado em: 12 de fevereiro de 2026

Vladyslav Heraskevych durante descida no skeleton

O atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych foi desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina nesta quinta-feira (12) por usar um capacete com a imagem de atletas ucranianos mortos no conflito com a Rússia desde a invasão de Moscou em 2022, segundo informação confirmada pelo próprio atleta.

Ele foi informado de sua desclassificação após uma reunião com a presidente do Comitê Olímpico Internacional, Kirsty Coventry, no início da manhã, no local das competições de trenó. Sua equipe afirmou que recorrerá da decisão no Tribunal Arbitral do Esporte.

Vladyslav Heraskevych, atleta ucraniano do skeleton, exibe imagens de atletas mortos em guerra em seu capacete • Richard Heathcote/Getty Images
Vladyslav Heraskevych, atleta ucraniano do skeleton, exibe imagens de atletas mortos em guerra em seu capacete • Richard Heathcote/Getty Images

COI implora

Na terça-feira (10), o COI vetou o uso do capacete em qualquer competição dos Jogos Olímpicos, alegando que o item viola as regras que proíbem manifestações políticas durante as provas. A decisão provocou críticas de políticos ucranianos.

Heraskevych, de 27 anos, vinha treinando há dias na Itália com o capacete que exibe 24 imagens de atletas ucranianos mortos, afirmou que pretendia usá-lo na competição. O equipamento é permitido apenas durante os treinos no centro de deslizamento de Cortina, mas não nas provas oficiais.

“Nós imploraríamos para ele: ‘Queremos que ele compita’”, afirmou o porta-voz do COI, Mark Adams, durante entrevista coletiva. “Vamos entrar em contato com o atleta  e reiterar as muitas, muitas oportunidades que ele tem para expressar seu luto. Queremos que ele expresse seu luto.”

Questionado pela Reuters se a escolha era usar o capacete ou não competir, Heraskevych respondeu: “Sim”.

Kirsty Coventry, presidente do Comitê Olímpico Internacional • Antonio Masiello/Getty Images
Kirsty Coventry, presidente do Comitê Olímpico Internacional • Antonio Masiello/Getty Images

Regra sobre manifestações políticas

Durante os Jogos, os atletas podem se expressar livremente em entrevistas, coletivas de imprensa e redes sociais, mas não podem fazer declarações políticas no campo de competição ou nos pódios.

O COI informou a Heraskevych, na terça-feira, que ele poderia usar uma braçadeira preta como alternativa.

“Queremos que ele compita. Queremos, de verdade, que ele tenha o seu momento”, disse Adams, acrescentando que, diante de dezenas de conflitos armados ao redor do mundo, seria impossível permitir manifestações políticas nos locais de competição.

A Regra 50.2 da Carta Olímpica determina que nenhuma forma de demonstração política, religiosa ou racial pode ocorrer nos campos de jogo ou nos pódios, embora os atletas possam se manifestar livremente em outros espaços.

“É isso que os atletas querem”, afirmou Adams. “Aquele momento específico no campo de competição deve estar livre de qualquer distração. Não é a mensagem, é o local que importa.”

“Para nós e para os atletas, o campo de competição é sagrado. Essas pessoas dedicaram a vida inteira a esse momento”, acrescentou.

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Notícia Extra | Notícias da Paraíba
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