
Eles saíram cedo de casa. Seria uma viagem curta, menos de duas horas de duração. A estrada os levaria a um destino, que eles achavam conhecer. Mas, o inesperado aconteceu e, de repente, a luz se apagou diante dos olhos de todos.
Não se sabe, ainda, o que cada um buscava no percurso, não encontrei entre as notícias rasas nas quais fiz uma pesquisa rápida. Imagino eu, iam atrás de soluções, seja para qual fosse o problema. Talvez tratamento de saúde, é o de praxe para quem deixa sua pequena cidade em direção a uma grande, com melhor oferta de cuidados.
Seis deles voltaram para casa da maneira mais triste e desoladora, dentro de um caixão. Quem deu-lhes um beijo na despedida, não mais poderá fazê-lo. Quem os abençoou na hora da partida, o fez pela última vez. E se algum deles saiu com raiva batendo a porta, não terá a chance de se desculpar. Pelo menos não pelo ângulo de visão materialista ainda predominante na Terra.
Meu pensamento vai distante, faço uma prece, rogo que todos a façam também, cada um à sua maneira, acredite no que acreditar, ou mesmo não acreditando em nada do mundo espiritual, que ao menos deseje a quem ficou o alívio para o coração, se é que é possível neste momento de tanta dor.
E, se não podemos fazer nada para ajudar, que ao menos não façamos nada para atrapalhar afogando os amores que ficaram em perguntas descabidas sobre como tudo aconteceu, nem mesmo falando em ser forte ou ter fé, já não se trata disso agora.
O que importa, de verdade, é ouvir o choro, o grito, ou até mesmo o silêncio de quem deu até logo sem saber que seria adeus. Ceder o ombro amigo para que possam desaguar suas lágrimas, oferecer amparo, ficar junto, mesmo sem nada dizer, somente sentindo.
Na despedida… ah, a despedida! Sempre penso que serei capaz de falar sobre ela. Não sou! Aliás, quem é? Será possível encontrar alguma palavra no dicionário que se encaixe em um momento como esse, onde a tragédia fez palco numa estrada movimentada que levou para o caminho inesperado?
Não! Definitivamente não há o que dizer! Então, apenas sejamos empáticos e tenhamos compaixão pelos que foram e pelos que ficaram agora no vazio da saudade.
*Este artigo é sobre as seis pessoas que morreram no acidente ocorrido entre Soledade e Campina Grande, na Paraíba, neste dia trágico de 3 de novembro de 2025. A eles, nossas preces! Aos que ficaram, nossos sentimentos!
NICE ALMEIDA


