João Pessoa: 14 de abril de 2026

Enquanto o mundo mira a Lua com Artemis II, a China lidera a corrida científica na Terra

Publicado em: 12 de abril de 2026

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Foto: https://www.nasa.gov/

Enquanto os olhos do planeta se voltavam para a histórica missão Artemis II, que marcou mais um capítulo da exploração espacial norte-americana, a China avançava silenciosamente em outra corrida estratégica: a da supremacia científica aqui na Terra. Longe dos holofotes, o gigante asiático vem consolidando sua posição como protagonista mundial em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.

A disputa entre Estados Unidos e China vai muito além do espaço sideral. Apesar do impacto visual e simbólico das imagens enviadas da órbita lunar, os indicadores globais apontam para uma liderança chinesa no campo da ciência. Segundo dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em março, a China superou os Estados Unidos em investimentos totais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2024. O país asiático destinou cerca de US$ 1,03 trilhão, enquanto os americanos investiram US$ 1,01 trilhão, valores ajustados pela paridade do poder de compra (PPP).

A própria Science destacou o feito como um marco esperado há décadas. Os números definitivos serão consolidados em setembro, mas os resultados já evidenciam a posição de destaque da China em áreas estratégicas como inteligência artificial, biologia sintética, novos materiais e energias renováveis.

Esse protagonismo não é recente. Ele resulta de uma política de Estado baseada em planejamento de longo prazo e investimentos contínuos. De acordo com Hugo Aguilaniu, diretor-presidente do Instituto Serrapilheira, trata-se de um domínio consolidado, impulsionado por visão estratégica e consistência institucional.

Desde o início dos anos 2000, a China respondeu por 29% do crescimento global em investimentos em P&D, superando os Estados Unidos, com 24%, e a União Europeia, com 17%, conforme dados da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos.

Além do volume de recursos, a expansão científica chinesa também se reflete na produção acadêmica. Em 2024, o país ultrapassou os Estados Unidos em número de artigos indexados na base Web of Science e liderou o ranking do Nature Index, que acompanha publicações em alguns dos periódicos científicos mais influentes do mundo.

No seleto grupo de 1% dos estudos mais citados globalmente, a China respondeu por 27,2% das publicações, superando os 24,9% dos Estados Unidos. Duas décadas atrás, esse cenário era inverso, evidenciando não apenas o crescimento quantitativo, mas também o avanço qualitativo da produção científica chinesa.

O domínio do país é particularmente expressivo nas ciências físicas, química, geociências e estudos ambientais, enquanto os Estados Unidos mantêm a liderança nas áreas de biologia e saúde.

Outro diferencial da estratégia chinesa é a valorização da cooperação internacional. Para o matemático Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, a China enxerga a colaboração global não apenas como motor do progresso científico, mas também como instrumento geopolítico. Segundo ele, o país mantém relações produtivas e receptivas com pesquisadores brasileiros.

Os dados da OCDE mostram ainda que Pequim vem ampliando seus investimentos em ciência em cerca de 10% ao ano na última década. Somente em 2024, o crescimento foi de 9,7%, quase o triplo da expansão registrada nos Estados Unidos, estimada em 3,4%.

Diante desse cenário, especialistas consideram a ascensão chinesa como um dos fenômenos mais marcantes da ciência contemporânea. Para Caroline Wagner, da Universidade Estadual de Ohio, a China já pode ser considerada a principal superpotência científica do mundo.

Assim, enquanto o mundo se encanta com as conquistas espaciais da Artemis II, a China reafirma sua liderança em um campo igualmente decisivo: o da produção do conhecimento e da inovação tecnológica que moldarão o futuro da humanidade.

Eugênio Falcão — com informações do jornal O Globo.

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