João Pessoa: 25 de junho de 2024

CPMI de 8 de janeiro retorna nesta terça-feira com depoimento de ex-diretor da Abin

Publicado em: 1 de agosto de 2023

CPMI de 8 de janeiro retorna nesta terça-feira com depoimento de ex-diretor da Abin

Por Paraíba Master

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos antidemocráticos de 8 de janeiro volta aos trabalhos nesta terça-feira (1°) com o depoimento do ex-diretor adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Saulo Moura da Cunha. A oitiva está marcada para as 9h.

Saulo Moura da Cunha entrou no radar da oposição à gestão Lula após revelações de que a agência teria alertado o novo governo sobre a possibilidade de invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

O órgão cuida dos serviços de inteligência e foi responsável por avisar as autoridades de segurança do governo Lula e do Distrito Federal sobre os atos de 8 de janeiro.

O ex-diretor deve ser questionado sobre como a Abin monitorou e alertou o governo Lula e a gestão Ibaneis Rocha (DF) do risco dos ataques, que provocaram prejuízos milionários aos cofres públicos.

Cunha foi exonerado do cargo da diretoria da Abin em março e, em abril, escolhido pelo presidente Lula para chefiar a assessoria especial de Planejamento e Assuntos Estratégicos do GSI. Ele assumiu as funções no GSI em 13 de abril. No dia 19, uma semana depois, foram divulgadas imagens do então ministro-chefe do GSI, Gonçalves Dias, dentro do Palácio do Planalto durante a invasão de 8/1.

A convocação à CPI foi pedida por quatro parlamentares da oposição: senador Magno Malta (PL-ES), deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado Marco Feliciano (PL-RJ) e deputado Delegado Ramagem (PL-RJ), sob a justificativa de que ele era diretor adjunto da Abin no dia das invasões.

Na segunda-feira (31/7), a Advocacia-Geral da União pediu que o depoimento do ex-diretor fosse restrito a parlamentares e assessores. O governo federal argumenta que Cunha integrava um órgão de inteligência, que cuida de informações sensíveis. A comissão, no entanto, não decidiu sobre a possibilidade.

Em requerimento à CPI, a AGU justificou que a divulgação da oitiva pode comprometer as investigações da Abin.

“Sob pena de se colocar em risco as atividades de inteligência em realização ou realizadas pelos servidores da ABIN, o que, por certo, o inclui, bem como à própria incolumidade física de tais servidores, que essa Comissão Parlamentar Mista de Inquérito procure adotar certas cautelas no sentido de não expor a sua pessoa e nem as pessoas dos servidores da ABIN que trabalharam nos fatos ora objeto de investigação, atendendo-se a tudo que dispõem tanto a legislação quanto as normas sobre o assunto, bem como respeitando-se o sigilo específico nelas previsto”.

CPI retoma trabalhos

Durante o primeiro semestre, a comissão ouviu seis depoentes. Relembre:

20/06 – Parlamentares ouvem o ex-diretor geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, investigado pelo Ministério Público Federal devido a uma operação da PRF realizada nas estradas durante o domingo das eleições presidenciais, já no segundo turno, disputado entre Lula e Bolsonaro.

22/06 – Renato Carrijo, perito da Polícia Civil do Distrito Federal e Leonardo de Castro, delegado da PCDF, prestam esclarecimentos sobre bomba plantada em um caminhão próximo ao Aeroporto de Brasília.

22/06 – George Washington de Oliveira Sousa, um dos envolvidos na tentativa de explosão de uma bomba no Aeroporto de Brasília, em dezembro do ano passado, presta depoimento. Ele foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão. Na CPI ficou em silêncio durante toda oitiva.

26/06 – Jorge Eduardo Naime, ex-chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), foi ouvido sobre o 12 de janeiro, quando manifestantes depredaram diversos ônibus na capital e tentaram invadir o edifício sede da Polícia Federal.

27/06 – CPI colhe depoimento do coronel do Exército Jean Lawand Júnior. O militar trocou mensagens com Mauro Cid, ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, sobre um possível golpe de estado contra o resultado das eleições de 2022.

11/07 – Tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro depõe à CPI. Ele foi preso no dia 3 de maio na Operação Venire, que apura suposto esquema de fraudes nos cartões de vacinação. Cid é considerado uma das peças-chaves para as investigações sobre os ataques do 8 de Janeiro, mas ficou em silêncio durante toda oitiva.

Paraíba Master com informações do Metrópoles 

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