João Pessoa: 30 de maio de 2024

Por que o PIB Agropecuário retraiu no Brasil em 2022?

Publicado em: 4 de março de 2023

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no ano de 2022. O PIB nominal totalizou R$ 9,9 trilhões, o PIB per capita alcançou R$ 46.154,60, e a taxa de crescimento do PIB brasileiro foi de 2,9% em 2022 em relação a 2021.

Conforme os dados oficiais do IBGE sobre os três setores econômicos no País, o setor agropecuário foi o único que recuou -1,7% no PIB em 2022 em relação ao ano de 2021. O PIB industrial cresceu 1,6%, e o PIB do setor de serviços avançou em 4,2% no ano de 2022 (IBGE, 2023).

Lendo na moderna biblioteca do UNIESP, e vizinho a Superintendência Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no estado da Paraíba, ambas localizadas na cidade portuária de Cabedelo, tornou-se enorme a procura pelos principais indicadores econômicos do continental Brasil para tentar entender melhor esta preocupante retração do PIB da Agropecuária.

Então, uma relevante pergunta: Por que o PIB Agropecuário retraiu no Brasil em 2022? Existem diversos fatores a serem considerados, mas, três fatores foram fundamentais para o PIB do agronegócio brasileiro alcançar R$ 675,5 bilhões no ano passado.

Primeiro, as mudanças climáticas impactaram negativamente a produção agrícola, sobretudo, a produção e a produtividade de soja por hectare. Com certeza, as secas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, além das enchentes nos estados da Bahia e de Minas Gerais prejudicaram a produção de soja no Brasil, o maior produtor e exportador de soja do mundo.

Atualmente, o Brasil é também o maior produtor e exportador mundial de café, de açúcar e de suco de laranja concentrado e congelado. E o segundo maior produtor global de carne bovina e etanol derivado da cana-de-açúcar. Além do terceiro maior produtor mundial de carne de frango e de milho. E o quarto maior produtor de algodão do planeta, de acordo com os dados da Food and Agriculture Organization of United Nations (FAO, em português, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

Segundo, as altas dos preços dos insumos para a produção agrícola, sobretudo, os fertilizantes, pelos impactos da Guerra na Ucrânia desde 24 de fevereiro de 2022, já que a Rússia é o maior exportador de fertilizantes do planeta.

Sim, precisamos importar fertilizantes da Federação Russa, do Canadá e de Marrocos para o crescimento da produção de grãos nas 27 Unidades da Federação, e atualmente, a República Federativa do Brasil é o terceiro maior produtor mundial de cereais, atrás apenas da República Popular da China e dos Estados Unidos da América (EUA).

Terceiro, as maiores taxas de juros do mundo. A taxa Selic já alcançou 13,75% ao ano, dificultando seriamente o acesso ao crédito rural nas cinco regiões do País. Com certeza, os juros no populoso Brasil são abusivos e os juros dos cartões de crédito já ultrapassaram mais de 400% ao ano.

É possível verificar também que os recursos são escassos na agropecuária brasileira. Que a soja é o principal produto da agricultura brasileira. Que o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de carne de frango. E que o agricultor nem o pecuarista não podem produzir tudo o que quer, porque a renda é limitada, e os fatores exógenos como a insegurança nas áreas rurais, as mudanças climáticas, e o não uso de novas tecnologias para o campo, elas dificultam muito a produção agropecuária.

A economia é a ciência da escolha e cada agricultor ou cada pecuarista faz a sua própria escolha de produção, e o seu principal produto poderá ser consumido ou não por pessoas integrantes das classes econômicas A, B, C, D e E no País, como também, poderá ser exportado para mais de 190 países ou não.

A economia brasileira está desacelerando, é preocupante, porque a taxa de crescimento do PIB brasileiro foi de 5,0% em 2021, e desacelerou para 2,9% em 2022. E as atuais previsões econômicas do Relatório FOCUS são de crescimento do PIB do Brasil de 0,84% em 2023, ou, de 0,75% no próximo ano, de acordo com as projeções econômicas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Agora, o Brasil é a décima segunda maior economia do mundo com um PIB nominal de US$ 1,919 trilhão em 2022 (AUSTIN RATING, 2023), e ultrapassado pelo Irã (11ª economia do planeta com PIB de US$ 1,973 trilhão) pelos sucessivos aumentos do preço internacional do barril de petróleo tipo Brent.

Em 2023, o PIB do agronegócio tende a cair de 2% a 4% no cenário mais pessimista, com elevadas taxas de juros, com mudanças climáticas, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) suspendo nove linhas para financiamento e crédito rural, e com uma alta inadimplência, nos atuais 70,1 milhões de pessoas inadimplentes, mais do que a população da Tailândia, com 69,7 milhões de habitantes, que já suspendeu as importações de carne bovina brasileira (com 224,6 milhões de cabeças), devido o caso do mal da vaca louca no animal de nove anos no Pará. Todavia, já foi enviado pelo MAPA uma amostra para o escritório regional da Organização Mundial de Saúde Animal (em inglês, World Organization for Animal Health – WOAH), em Alberta, no Canadá, no qual já constatou no exame que o caso de vaca louca é atípico.

Precisamos estar atentos a gripe aviária em propagação nos países sul-americanos e vizinhos, a Argentina e o Uruguai, porque o Brasil tem 1,5 bilhão de cabeças de galináceos (galos, galinhas, frangos e pintos), é o quarto maior rebanho do planeta, atrás apenas da China, da Indonésia e dos EUA. E o PIB agropecuário poderá subir de 1% até 5% no cenário econômico mais otimista, pelo aumento da demanda nacional e internacional de alimentos.

Desta maneira percebe-se claramente como a agropecuária é importante para a economia brasileira em plena Indústria 4.0. Enfim, vamos estudar mais, pois, temos muito trabalho para inserir o emergente Brasil no relevante grupo dos países desenvolvidos como o Canadá e a Austrália ainda no século XXI.

PAULO GALVÃO JR

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